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Mimarte - Festival de Teatro de Braga 2009

Uma dezena de trabalhos dramáticos – do popular ao erudito, do clássico ao contemporâneo, comédia ou tragédia –, protagonizados por colectivos provenientes de todo o país e de Espanha, constituem o cartaz da décima edição do “Mimarte - Festival de Teatro de Braga”, que, de 26 de Junho a 5 de Julho, regressa aos palcos do rossio da Sé, Theatro Circo e Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa.
Organizado pelo Pelouro Municipal da Cultura, o certame afirma-se como uma referência no ciclo cultural bracarense
, registando ao longo das suas anteriores edições uma significativa e visivelvemente crescente adesão de público, ultrapassando o que é considerado regular em eventos congéneres.
Os princípios constituintes do Festival de Teatro de Braga radicam na convicção de que há só um público de teatro, já que «esta arte intemporal, na sua origem e natureza, é feita para um só homem, para o homem universal que inventou a mimésis, quando quis entender a essência da natureza humana e o governo divino do mundo, se quisermos aceitar este princípio hegeliano».
Desta forma, o “Mimarte” assume contornos de manifestação teatral global, que sublinham o carácter festivo do evento e o aproximam do espírito popular e das dinâmicas socio-culturais que foi desenvolvendo no decorrer de dez anos de festival.
É com base nestes princípios que o Município de Braga, através do seu Pelouro da Cultura, programa o festival nos núcleos urbanos tradicionais, carregados de memória, como o rossio da Sé e mais recentemente o Theatro Circo e o Museu D. Diogo de Sousa, para que neles aconteça uma relação de comunhão com o património edificado e com o espírito popular que lhe dá sentido.

COMÉDIAS PREDOMINAM, CLÁSSICOS ENCERRAM CERTAME

Em contexto de abertura do “Mimarte 2009”, “Presos Por Uma Corrente de Ar” é a comédia que o Teatro Regional da Serra de Montemuro (Viseu) apresenta a 26 de Junho (21h45) no palco do Rossio da Sé.
Da autoria de G. Pulleyen e Helen Ainsworth, a peça que se desenvolve a partir da interacção de quatro personagens – concretamente, quatro presos a cumprir a pena em serviço comunitário, tendo por missão “erguer” uma estátua integrada numa candidatura a Património da Humanidade – é composta por uma série de situações inesperadas que surgem na sequência de um “deslize” orçamental.
Confrontado com o imprevisto e ansioso por terminar a obra, o Presidente, encarregue de “lançar” a primeira pedra, recorre a uma invulgar banda filarmónica para proporcionar momentos de entretenimento ao público que na circunstância assume ainda o papel de grupo de cidadãos a aguardar a inauguração.
Ao segundo dia do festival (27, 21h45), o Peripécia Teatro (Vila Real) traz ao palco da Sé “Ibéria - A Louca História de Uma Península”, espectáculo que aborda de forma satírica os episódios históricos – batalha do Salado, Inês de Castro, Viriato e Numância, Aljubarrota, Tratado de Tordesilhas, entre outros – que ligam Portugal e Espanha ao longo de mais de mil anos.
Após a encenação de “Guignol”, de Jacques Prévert, pela companhia bracarense PIFH – Produções Ilimitadas Fora D’Horas (28, 21h45, Rossio da Sé), o Mimarte 2009 prossegue a 29 (21h45) com “Catavento”, trabalho dramático sobre o conflito entre o velho e o novo, o tradicional e o inovador, que o Teatro das Beiras (Covilhã) adaptou a partir da obra homónima de G. Pulleyen e Helen Ainsworth.
Presença habitual no Festival de Teatro de Braga, o Teatro Ao Largo (Vila Nova de Mil Fontes) chega ao rossio da Sé a 30 de Junho (21h45) com “As Justiceiras”, de Aristófanes.
Através de uma velhacaria, as mulheres da cidade conseguem dominar a assembleia local e decretam uma série de leis ultrajantes que, à custa dos homens, revertem em vantagem feminina. Deste cenário surgem consequências hilariantes que, através da comédia e do absurdo, reflectem a abordagem de conceitos como a paridade, igualdade de direitos ou a corrupção.
Do Porto, no sexto dia do festival (1 de Julho, 21h45, rossio da Sé), chega a Braga a companhia Circolando com o teatro de marionetas e do objecto “Paisagens em Trânsito”.
Da autoria de Patrick Murys, “Paisagens em Trânsito” tem por cenário uma estação de comboios imaginária onde um viajante sem destino carrega uma história guardada na bagagem. Adoptada como centro de interrogações, a temática do exílio surge nesta dramatização através do desespero do homem que, enquanto aguarda o comboio que não chega, vai abrindo malas que revelam pedaços de uma vida representados na simplicidade de pedaços de palha, badalos de ovelhas, uma farda de combate ou terra.
Mais uma vez em destaque na décima edição do Mimarte, a História de Portugal volta a subir ao palco da Sé com a encenação de “Afonso Henriques” (2 de Julho, 21h45), de António José Saraiva, pela companhia O Bando (Palmela).
Ainda menino, Afonso, que herdou o território do Condado antes dos dois anos de vida, sonhava ser um rei invencível contra os mouros e castelhanos. Um dia, Afonso Henriques acorda e, descobrindo que já não era aleijado das pernas e que no lábio superior lhe despontava um bigode, parte de batalha em batalha, iniciando um percurso pessoal que acabou por ditar o destino de um país.
Protagonizada pelo mediático actor Jorge Mourato, “Caveman: Mim Caçar, Tu Colher” é a comédia em forma de monólogo que a 3 de Julho (21h45) tem por cenário o palco principal do Theatro Circo.
Espectáculo a solo que mais tempo se manteve em cena na Broadway, “Caveman” é uma comédia da autoria de Rob Becker que adopta por tema as relações entre homens e mulheres e as diferenças que frequentemente dão origens a mal-entendidos ou situações de conflito com as quais o público facilmente se identifica.
Passando para o palco do Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, a tragédia faz-se representar no Mimarte 2009 pela encenação de “Agamémnon” (4, 21h45), pelo Grupo Thíasos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Recriada a partir da obra de Ésquilo, a representação de “Agamémnon” desenvolve-se em contexto de regresso dos heróis gregos que combateram em Tróia, conflito que levou ao sacrifício de Ifigénia à deusa Ártemis, que decidiu poupar a jovem e transformá-la em sacerdotisa. Supondo a sua filha morta, Clitemnestra, esposa de Agamémnon, engendra um plano de vingança que culmina no assassinato do próprio marido.
Para encerrar este Festival de Teatro de Braga, o Pelouro Municipal da Cultura escolheu o clássico “Édipo Rei”, de Sófocles, representado pelo Grupo de Teatro Clássico Esad (Málaga - Espanha).
Encarnação da luta do ser humano pela descoberta da sua própria identidade e conservação da liberdade de decisão, ainda que errónea ou condutora da própria destruição, a encenação da vida de Édipo, filho de Laio, “o surdo”, e neto de Lábdaco, “o coxo”, sobe ao palco do átrio do Museu D. Diogo de Sousa a 5 de Julho, às 21h45.
Todos os espectáculos têm acesso livre, excepto o que acontece no Theatro Circo, cujos ingressos simbólicos, a 2€, já estão disponíveis. Os 400 lugares sentados do rossio da Sé são ocupados por ordem de chegada ao recinto

Fonte: CM-Braga


 
 
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