O que é que acontece quando se junta Werner Herzog e David Lynch? A resposta está em - «My Son, My Son, What Have Ye Done - Meu Filho, Olha o que Fizeste!». O novo filme do cineasta alemão é bizarro e repleto de enigmas bem estilo de Lynch, que é neste caso produtor.
O segundo filme de Herzog em competição no Festival de Veneza, depois de «Bad Lieutenent», é baseado numa história real. Nos finais dos anos 70, na Califórnia, um estudante matou a mãe com um sabre, julgando que a estava a salvar do Holocausto.
No centro da nossa história está um jovem actor, mentalmente desequilibrado, que durante os ensaios de uma tragédia grega, mata precisamente a própria mãe. A acção tem lugar durante um cerco policial a uma casa nos subúrbios de San Diego.
O Detective Hank, interpretado por Willem Dafoe chega ao local do crime e, numa cena clássica de diálogo policial, tenta negociar com o homicida, que está barricado com dois reféns. Quando a namorada Ingrid, ela é Chloe Sevigny , e o encenador chegam ao local, identificam a arma do crime como sendo a espada usada na peça «Orestes», um matricida clássico grego. É então que todos reconhecem que Brad, Michael Shanon, se desligou completamente da realidade. Parte do filme pisca o olho aos policiais americanos, na outra há o quebra-cabeças clássico de Herzog.
Os enigmas da história prestam homenagem ao mundo de Lynch, e o filme parece apontar para um público-alvo típico do realizador de Mulholland Drive O elenco é bastante diverso e Michael Shanon, o protagonista, apesar de suscitar pouca simpatia, apresenta um trabalho convincente e sério ao vestir um papel de louco num filme que para começar é totalmente absurdo. Apesar de um elenco de luxo, a interpretação parece um pouco forçada. Mas essa pode ser a forma que Herzog encontrou de se aproximar ao género: quase parodiando.
Fonte: CineRUM
Carlos Santos



























