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Quando a cópia supera o original

 Longe do Irão, Abbas Kiarostami regressa com “Cópia Certificada”. Um drama complexo e com a extraordinária Juliette Binoche a servir de cicerone por entre as suaves colinas da Toscana.
Daí as comparações, inevitáveis, a “Viagem a Itália” de Rossellini, mas com a diferença de que no centro está um casal a fingir ou pelo menos faz-nos acreditar no início.
Conhecem-se após uma conferência. Ele é um famoso escritor inglês que vem apresentar o seu novo livro: “Cópia Certificada”. Ela é uma galerista francesa, mãe solteira, que vive há cinco anos em Itália.
Juntos passeiam um dia pelo sul da Toscana. Começam por discutir arte, não fosse Itália um grande museu a céu aberto, demoram-se no significado da cópia e do original. E sem darmos por isso agem como um casal.
Entre um café longo e um bom vinho, inventam a sua própria história de amor, com recordações e lugares onde já foram felizes. São no fundo a cópia de um casal original. Curiosamente há cenas de casamentos tradicionais por todo o filme.
 
Contrariando a receita habitual, Kiarostami não chamou actores amadores, optando por nomes internacionais como William Shimell (cantor de ópera) e Juliette Binoche, que venceu com este papel o prémio de melhor actriz no último Festival de Cannes.
Assente na palavra e falado em inglês, francês e italiano “Cópia Certificada” volta a colocar a mulher no centro. Ela é tão frágil, como sedutora em frente a um espelho enquanto se maquilha.
Cátia Castro
 
 
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